
| por (31/01/2008) |
Um participante do fórum pediu-me um breve comentário sobre os reflexos da auditoria sobre a riqueza patrimonial, observando os aspectos administrativo, patrimonial, fiscal, técnico, financeiro, econômico e ético, cuja resposta que lhe dei estou disponibilizando como aula.
Na realidade, a pergunta não deveria ser respondida com uma breve explanação, em razão da variedade de circunstâncias que envolvem um processo auditorial e seus efeitos para sociedade como um todo. Entretanto, vou tentar ser sintético, buscando não perder em qualidade, dividindo a abordagem em três segmentos: técnico, econômico-financeiro e ético.
Aspecto Técnico
A auditoria é um processo de investigação onde se busca averiguar a consistência e propriedade dos gastos efetuados por uma entidade, seja ela do segmento público ou privado. Neste processo, os auditores analisarão os diversos componentes da entidade, em conformidade com o objetivo que se pretende atingir.
Se a intenção é verificar a dinâmica empresarial, por exemplo, a análise se voltará, particularmente, para a composição da estrutura operacional e física da empresa, aí considerados os procedimentos administrativos, sistema de captação e manutenção de pessoal, distribuição física e geográfica dos seus organismos, sua estrutura de equipamentos, etc.
Esta análise visará traçar um perfil da forma como a empresa opera e se vem utilizando seus capitais humanos e materiais de uma forma apropriada e sem desperdícios.
Aspecto econômico-financeiro
Quando se enfoca o aspecto econômico-financeiro, o que se tem em mente é verificar se os recursos financeiros disponíveis estão sendo aplicados com propriedade e sem desvios, principalmente porque eles sempre são escassos e sua captação em mãos de terceiros implica em ônus para a empresa em decorrência dos juros que deverão ser pagos aos seus repassadores, quando não é o caso de recurso a fundo perdido, que são valores que são repassados sem a obrigação de pagamento ao cedente. Observe que a ocorrência de desvio na aplicação dos recursos não significa, necessariamente, que está ocorrendo alguma pratica desonesta por parte do gestor do patrimônio. O fato pode surgir pela aplicação indevida decorrente da mau planejamento ou de falha gerencial, o que de qualquer forma causa prejuízo para a empresa.
Neste contexto, a auditoria buscará analisar o processamento financeiro da empresa para verificar onde podem estar ocorrendo falhas procedimentais danosas ao patrimônio para que sejam sanadas e, até mesmo, verificar se existe algum tipo de processo fraudulento sendo praticado, quando, então, deverá apontar os elementos caracterizadores dessa prática e os seus possíveis responsáveis.
Aspecto ético
Este é um fator que deve ter extrema atenção dos auditores, sob pena de prejudicarem o resultado de seu trabalho.
A ética deve ser a característica mais marcante na personalidade de um auditor.
Quando um auditor assume uma tarefa, tem que entender que sua missão deve ser totalmente independente e sem interferência de quem quer que seja, para que possa elaborar seu parecer com absoluta segurança e imparcialidade.
Sendo sempre ético, o auditor jamais permitirá influência em suas análises, pois sabe que elas, certamente, prejudicarão o seu trabalho.
O auditor ético deverá suspender o trabalho que estiver desenvolvendo se perceber que não poderá fazê-lo com absoluta independência, por influências que esteja sofrendo, ou possa vir a ser imparcial, no caso de haver algum comprometimento pessoal.
O que se tem destes aspectos é que o resultado de um processo auditorial reflete-se na riqueza patrimonial na medida em que ele averigua as condições operacionais e funcionais de uma empresa e pode apontar fatores que estejam prejudicando seu desempenho e oferecer alternativas para seu aperfeiçoamento.
Quanto mais as empresas utilizem auditores como parceiros, mais efetivamente poderão desenvolver suas atividades sob uma ótica de eficiência, eficácia e economicidade.

Carlos Nogueira