
| por (30/01/2007) |
45 – O planejamento estratégico de uma organização compreende, entre outros passos, a análise de oportunidades e ameaças geradas por seu ambiente. Informações produzidas pelo mercado são importantes para possibilitar à organização identificar nichos de atuação, tendências de comportamento e necessidades. Nessa direção, é correto afirmar que o estudo e a classificação dos clientes de acordo com a distribuição etária, sexo, tamanho da família, tempo de casamento, renda, profissão, escolaridade e religião correspondem ao enfoque:
A) Geográfico.
B) Demográfico.
C) Psicossocial.
D) Comportamental.
E) Tecnológico.
Comentário:
A questão, em essência, afasta-se um pouco do contexto específico das teorias administrativas e dos estudos econômicos, para centrar-se em aspectos censitários. Sob este enfoque, tem-se que as pesquisas que envolvem a classificação dos clientes de acordo com sua faixa etária, sexo, componentes do grupo familiar, vínculos conjugais, renda, profissão, escolaridade e religião, entre outros, são elementos que definem as diversas faixas populacionais utilizadas nos estudos censitários.
Assim, a alternativa “B” é a que se relaciona a aspectos censitários, sendo, portanto, a que responde corretamente a questão.
46 – No mundo contemporâneo, técnicas e teorias administrativas são desenvolvidas para melhorar o desempenho das organizações. Mudanças no modo de ver e administrar as organizações ocorreram no final do século passado e continuam a ocorrer. Uma das técnicas mais difundidas, nos últimos anos, é aquela por meio da qual a organização compara o seu desempenho com outra de desempenho comprovadamente superior. A idéia central é procurar novas práticas administrativas existentes no mercado e adotá-las. Essa abordagem é conhecida por:
A) Reengenharia.
B) Outsourcing.
C) Empowerment.
D) Benchmarking.
E) Balance scorecard.
Comentário:
Dois estudiosos contemporâneos das teorias administrativas, Mohamed Zairi e Paul Leonard destacaram-se pelo contexto gerencial inovador recentemente implementado no meio gerencial, quando propuseram uma ferramenta que se originou no termo bench mark, que se refere a um instrumento preciso e um padrão de excelência. A partir desta visão, desenvolveram uma metodologia que tinha como foco a medição de produtos, serviços ou processos em relação aos concorrentes mais fortes ou aos líderes internacionais reconhecidos do setor.
Segundo os autores, cujas idéias estão explanadas no livro “Benchmarking Prático - O guia completo”, cuja versão brasileira foi publicada em 1995 pela Editora Atlas, deve-se trabalhar a procura de melhores práticas da indústria que levem a um desempenho superior, destacando que o benchmarking é usado em nível estratégico e em nível operacional:
Em nível estratégico para se determinar padrões de desempenho com relação a quatro prioridades corporativas:
• Satisfação do consumidor;
• Motivação e satisfação do funcionário;
• Participação de mercado;
• Retorno sobre ativos.
Em nível operacional para entender as melhores práticas ou processos que permitem aos outros alcançar desempenho destacado em nível mundial.
O benchmarking, portanto, defende o preceito de que, como ninguém é melhor em tudo, deve-se detectar e copiar o que cada empresa tem de melhor, o que possibilitará economizar tempo, dinheiro e trabalho.
Pelo exposto, fica claro que a alternativa “D” é a que responde corretamente a questão.
47 – A gestão organizacional é influenciada pelo comportamento do líder, a forma pela qual ele se relaciona com seus liderados, como exerce sua autoridade. Autoridade, conforme Max Weber, estudioso alemão, está diretamente relacionada com a possibilidade de uma ordem ou comando ser obedecida por uma pessoa ou um grupo. Segundo ele, há três formas de autoridade: tradicional, carismática e racional-legal. Em relação à autoridade carismática, é correto afirmar que ela:
A) Passa de geração a geração.
B) Cria direitos e obrigações para subordinados.
C) Baseia-se nas qualidades pessoais do líder.
D) Baseia-se em normas, registros, regulamentos.
E) Baseia-se nos usos e costumes.
Comentário:
Antes de entrar no mérito da questão é importante que se tenha uma definição clara e objetiva do que é carisma e carismático, e nada melhor do que recorrermos ao Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, que nos dá as seguintes definições sumariadas:
Carisma.
Força divina conferida a uma pessoa, mas em vista da necessidade ou utilidade da comunidade religiosa. Atribuição a outrem de qualidades especiais de liderança, derivadas de sanção divina, mágica, diabólica, ou apenas de individualidade excepcional. O conjunto dessas qualidades.Carismático.
Relativo a, ou da natureza do carismaPartindo-se das definições oferecidas pelo dicionarista, temos que a autoridade carismática está vinculada a características específicas daquele que exerce a liderança e são elas que lhe dão poder sobre os demais. Observe-se que este tipo de liderança não é pautada na força, na coação, na pressão, nem na imposição, ela é exercida em função dos aspectos pessoais daquele que exerce a liderança, que nem sempre é o mais preparado tecnicamente para a função.
Sob este aspecto é interessante citar David Baron, que em seu livro “As Leis de Moisés para a Gerência”, cuja edição brasileira foi publicada em 1999 pela Editora Record, faz uma interessante abordagem sobre o papel de Moisés na condução do seu povo através do deserto, destacando-se o seguinte:
Moisés teve que liderar os israelitas através de deserto, estimulando-os a continuar no caminho para uma terra “prometida”. A missão adquiriu forma ao longo do caminho, cuja maior desafio era transformar um grupo de desesperados ex-escravos em uma nação de confiantes guerreiros da liberdade.
Uma outra contribuição que se soma as citadas é a de Robert Henry Srour que, em seu livro “Poder, Cultura e Ética nas Organizações” cuja edição brasileira foi publicada em 1998 pela Editora Campus, assim se refere ao que chamou liderança carismática:
Tal tipo de liderança só se viabiliza quando sua natureza peculiar lhe é reconhecida por adeptos, discípulos, prosélitos, sequazes, devotos partidários, fiéis, apóstolos ou seguidores. A devoção do séqüito ao líder carismático acaba sendo, no mais das vezes, desmesurada e irracional, porque nutre-se em águas como que sagradas e leva à louvação e à glorificação do líder (culto à personalidade).
Por tudo quanto foi exposto, percebe-se claramente que a alternativa “C” é a que responde corretamente a questão.

Carlos Nogueira