
| por (04/03/2005) |
Saiu o edital do concurso de admissão à carreira de diplomata do IRBr e depois de tanto enfoque da mídia por causa do Inglês (que não saiu e nem sequer se cogitou tal possiblidade, apenas se tornou classificatório), é natural uma procura maior de interessados em tal carreira. É importante deixar claro, porém, que o nível exigido pelo concurso não permite a entrada dos chamados ‘marinheiros de primeira viagem’. Claro que toda regra tem sua exceção, mas o concurso do IRBr é consagrado por ser um dos mais difíceis do País e exigir um grau elevado de conhecimento. Não é uma prova em que basta aprender fazê-la, pois todo ano temos novidades. Passa quem tem um conhecimento adquirido, uma base concreta que sobreviva às variações do concurso. A forma muda, mas o conteúdo dificilmente se altera.
As provas da Cespe de Português são diferentes das da Esaf ou de qualquer outro concurso. Adotam uma abordagem que verifica os vários níveis de leitura na hora de interpretar um texto e ainda conseguem cobrar as normas gramaticais. Outro fator que cada vez mais é cobrado é uma noção das nomenclaturas lingüísticas (tendência que parece começar a ser adotada também pelos outros concursos, pois permite uma maior flexibilização da nossa norma ‘oculta’) como, por exemplo, dizer se em tal parágrafo há uma “cadeia anafórica” ou “catafórica”. Só lembrando que estes são recursos de coesão que permitem o ‘andamento’ do texto, se eu retomo uma determinada palavra ou a antecipo.
Veja o exemplo:
Ana e Maria vieram aqui. Esta veio a pé e aquela , de ônibus.
(esta e aquela formam uma cadeia anafórica pois retoma com os pronomes termos já citados a fim de manter a coesão do texto)
O assunto é este: a interpretação de texto nas provas.
(este é um catafórico, antecipa o que vou dizer)
A surpresa a que todos esperam no caso do IRBr é as questões mescladas de múltipla escolha e certo e errado, além das cinco dissertativas.
Quando temos formuladas questões de C ou E em provas de interpretação, baseadas em um texto motivador, devemos considerar uma série de pressupostos. Um deles é o tipo de erro que será construído para você poder julgar errada uma alternativa. Os erros são formulados de forma que leve o candidato a pensar que o que diz a questão está realmente escrito no texto. São questões que ou extrapolam ou reduzem ou contradizem o que o texto diz. Leia com atenção, perca tempo no texto original – nunca vá direito para as questões de interpretação sem antes ler o texto! – e procure ver se o conteúdo delas vai além do texto original, se o diminui de modo que altere seu sentido, ou se diz o contrário do que está escrito. Estas últimas, contraditórias, são muito perigosas pois vêm escritas com as mesmas palavras do texto, apenas ordenadas diferentemente, fazendo com que o candidato pense que diz o mesmo.
Outro pressuposto importante é ler bem os enunciados. Se estes dizem “julgue” ou “infere-se” está pedindo para você concluir algo a partir do texto (inferências que eu posso concluir a partir do texto dado – mas só a partir dele e não do ‘meu conhecimento de mundo’). Inferir algo é o processo de raciocínio do qual se conclui algo a partir de outro algo já dado, e não necessariamente está escrito no texto. Preste atenção se pede o pensamento do autor do texto, ou se é o que se pode tirar do texto. E cuidado com as subjetividades.
Com boa leitura e conhecimento da norma culta qualquer prova fica fácil. Boa sorte e até a próxima.

Claudia Ruiz Dulinskas Simionato