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Teste de Recuperabilidade (<em>Impairment test</em>) - CPC 01Teste de Recuperabilidade (Impairment test) - CPC 01

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Bernardo Cherman
por professor Bernardo Cherman
(08/12/2010)

Nos termos do CPC 01:

Valor recuperável de um ativo ou de unidade geradora de caixa é o maior montante entre:

  • o seu valor justo líquido de despesa de venda
  • o seu valor em uso.

Valor justo líquido de despesa de venda é o montante a ser obtido pela venda de um ativo ou de unidade geradora de caixa em transações em bases comutativas, entre partes conhecedoras e interessadas, menos as despesas estimadas de venda.

Valor em uso é o valor presente de fluxos de caixa futuros esperados que devem advir de um ativo ou de unidade geradora de caixa. Significa dizer: se o equipamento continuasse funcionando, quanto geraria de lucro? Esse valor é calculado por estimativa.

Valor contábil é o montante pelo qual o ativo está reconhecido no balanço depois da dedução de toda respectiva depreciação, amortização ou exaustão acumulada e ajuste para perdas.

O Teste de Recuperabilidade visa reduzir o valor do ativo, quando for maior, ao seu valor justo (valor de venda) ou valor em uso.

A Lei 6404/76 obriga o teste de recuperabilidade para itens do ativo imobilizado e no intangível, entretanto, a CPC 01 faz referência a todos os ativos.

A redução de valores do ativo ao valor recuperável é um nome mais elegante para o velho jargão contábil: custo ou mercado, dos dois o menor. Quando o valor de mercado (valor justo) for superior ao valor contábil reduzimos o valor do ativo por meio de constituição de provisão.

Essa regra serve bem aos ativos destinados a venda, entretanto, para itens não destinados à venda a regra custo ou mercado, dos dois o menor pode não fazer muito sentido (o bem não está destinado à venda, por exemplo, um bem do imobilizado). Assim, a necessidade de levarmos em conta o valor de mercado, e também consideramos seu valor econômico decorrente de seu uso.

A conta para reduzir o valor do ativo ao seu valor recuperável é “perdas estimadas por redução ao valor recuperável”, semelhante a depreciação acumulada ou provisão. Se o valor contábil for inferior ao valor em uso ou justo, não há necessidade de constituir a provisão para perdas (perdas estimadas por redução ao valor recuperável).

Exemplo 1:

Questão Auditor TCM RJ FGV:

Segundo a Resolução CFC 1.110/07, assinale o valor da variação que deverá sofrer o patrimônio da Empresa Industrial X ao efetuar, adequadamente, o lançamento contábil relativo ao teste de recuperabilidade do equipamento Y, sabendo-se que:

  1. o valor de registro original do equipamento Y é $100.000,00;
  2. a depreciação acumulada do equipamento Y, até a data do teste, é $40.000,00;
  3. o valor de mercado do equipamento Y, na data do teste, é $ 62.000,00;
  4. caso a Empresa X vendesse o equipamento Y, na data do teste, incorreria em gastos associados a tal transação no montante de $13.000,00;
  5. caso a Empresa X não vendesse o equipamento Y e o continuasse utilizando no processo produtivo, seria capaz de produzir 10.000 unidades do produto Z por ano pelos próximos 3 anos;
  6. o preço de venda do produto Z é $10,00 por unidade;
  7. os gastos médios incorridos na produção e venda de uma unidade de produto Z é $8,00;
  8. o custo de capital da Empresa X é 10% ao ano;
  9. a Empresa X é sediada num paraíso fiscal; portanto, ignore qualquer tributo.
a) entre $ –15.000,00 e $ –10.801,00
b) entre $ –10.800,00 e $ –5.001,00
c) entre $ –5.000,00 e $ –1,00
d) zero
e) entre $1,00 e $2.000,00
Resolução:

1 – Cálculo do valor contábil:

Valor do equipamento100.000
(-) Depreciação Acumulada(40.000)
(=) Valor Contábil60.000

2 - Cálculo do preço de venda líquido (valor justo): corresponde ao preço de venda diminuídas das despesas com a venda:

Preço de venda62.000
(-) Despesas com vendas(13.000)
(=) Valor justo (preço de venda líquido)49.000

3 – Cálculo do valor em uso do equipamento (valor que o equipamento produziria em funcionamento):

Preço de venda unitário10
(-) Gastos incorridos na produção(8)
(=) Lucro unitário2
(x) Quantidade produzida10.000 unidades
(=) Lucro Anual20.000

Considerando os três anos a empresa teria 60.000 de lucro. Como a questão nos dá o custo do capital empregado, consideramos que nesse lucro já está embutido esse custo.

Nesse ponto, então, devemos levar os 3 valores (20.000 por ano) à data do teste considerando o custo de capital dado no problema (10% ao ano). Aqui usaremos a fórmula de juros compostos:

M = C (1+ i)n
Assim, C = M/ (1+i)n

C = Capital na data atual
M = Montante, Capital na data futura (20.000)
i = taxa de custo do capital (10% = 0,1)
n = período de tempo.

Desse modo:

1° ano20.000/ (1+ 0,1) = 20.000/1,1 =18.182
2° ano20.000/ (1+ 0,1)2 = 20.000/1,21 =16.529
3° ano20.000/ (1+ 0,1)3 = 20.000/1,331 =15.026
Total valor em uso 49.737

4 – Determinação do valor recuperável:

O valor recuperável é o maior dentre o valor justo (49.000) e o valor em uso (49.737). Assim, o valor recuperável é de 49.737.

5 – Determinar se há que se fazer provisão (para perdas estimadas):

A provisão deverá ser feita quando o valor contábil (60.000) é maior que o valor recuperável (49.737). No nosso problema foi o que ocorreu.

Dessa forma o valor da provisão seria: 60.000 – 49.737 = 10.263

O lançamento contábil seria:

D – Perda por Desvalorização (conta de resultado)
C – Perdas pelo valor não recuperável (retificadora Imobilizado) ..10.263

Resposta: B

Exemplo 2

Questão (Auditor TCM PA FGV):

A Empresa Industrial J, no ano t, efetuou adequadamente o lançamento contábil relativo ao teste de recuperabilidade do valor contábil de determinado equipamento, sabendo-se que:

  1. o valor de registro original desse equipamento é $80.000,00. A depreciação acumulada do equipamento, até a data do teste, é $50.000,00;
  2. o valor de mercado desse equipamento, na data do teste, é $32.000,00. Caso a Empresa J vendesse o equipamento, na data do teste, incorreria em gastos associados a tal transação no montante de $5.000,00;
  3. caso a Empresa J não vendesse o equipamento e continuasse utilizando-o no processo produtivo, seria capaz de produzir 5.000 unidades do produto Ju por ano pelos próximos 4 anos (assuma que a produção anual ocorra no final de cada ano). Ao final desse período, o equipamento se reduziria a sucata. O preço de venda do produto Ju é $5,00 por unidade. Os gastos médios incorridos na produção e venda de uma unidade de produto Ju é $3,00. O custo de capital da Empresa J é 10% ao ano;
  4. a Empresa J é sediada num paraíso fiscal; portanto, ignore qualquer tributo. Segundo a Resolução CFC 1.110/07, indique o valor da variação que deverá sofrer o resultado da Empresa J.
(A) Entre $ –6.000,00 e $ –4.000,01.
(B) Entre $ –4.000,00 e $ –2.000,01.
(C) Entre $ –2.000,00 e $ –0,01.
(D) Zero.
(E) Entre $ 0,01 e $ 2.000,00.
Resolução:

Seguindo o mesmo roteiro da questão anterior:

1 – Cálculo do valor contábil

Valor do equipamento80.000
(-) Depreciação Acumulada(50.000)
(=) Valor Contábil30.000

2 – Cálculo do preço de venda líquido (valor justo)

Preço de venda32.000
(-) Despesas com vendas(5.000)
(=) Valor justo (preço de venda líquido)27.000

3 – Cálculo do valor em uso do equipamento

Preço de venda unitário5,00
(-) Gastos incorridos na produção(3,00)
(=) Lucro unitário2,00
(x) Quantidade produzida5.000 unidades
(=) Lucro Anual10.000,00

Desse modo:

1° ano10.000/ (1+ 0,1)9.091
2° ano10.000/ (1+ 0,1)28.264
3° ano10.000/ (1+0,1)37.513
4° ano10.000/ (1+0,1)46.830
Total valor em uso 31.698

4 – Determinação do valor recuperável:

O valor recuperável é o maior dentre o valor justo (27.000) e o valor em uso (31.698). Assim, o valor recuperável é de 31.698.

5 – Determinar se há que se fazer provisão (para perdas estimadas):

A provisão deverá ser feita quando o valor contábil (30.000) é maior que o valor recuperável (31.698). No nosso problema o valor contábil foi menor. Logo não há que se constituir provisão.

Resposta: D

A norma ainda define:

Unidade geradora de caixa é o menor grupo identificável de ativos que gera entradas de caixa, entradas essas que são em grande parte independentes das entradas de caixa de outros ativos ou outros grupos de ativos.

O conceito é utilizado quando não se pode determinar o valor recuperável de um item de maneira individual. Por exemplo, suponha que uma empresa tenha um caminhão. Nesse caminhão está montada uma caçamba. A caçamba sofre avarias. Assim, será estimado o valor recuperável da caçamba com o objetivo de se constatar se houve perda por desvalorização. A entidade percebe que não é possível estimar o valor recuperável da caçamba, pois esse ativo só gera entrada de caixa quando combinado com outros ativos (caminhão). Nesse caso, a entidade deve identificar a unidade geradora de caixa a qual esse item pertence, no caso o caminhão.

Observe que a unidade geradora de caixa é o caminhão, mas a empresa pode considerar essa unidade geradora de caixa como se fosse duas para fins de depreciação, por exemplo.

Em algumas situações, a unidade geradora de caixa é a empresa inteira, quando não há possibilidade de subdivisão. É o caso de uma empresa produzir um único produto, por exemplo, a indústria de álcool.

Bernardo Cherman

Sobre o autor

Bernardo ChermanBernardo Cherman

Professor de Contabilidade Geral, Contabilidade de Custos, Análise de Balanços, Auditoria e Contabilidade Avançada em diversos cursos preparatórios para concursos públicos. leia mais 
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