
| por (30/03/2006) |
4- A teoria dos ciclos econômicos reais pretende que as flutuações econômicas de curto prazo devam ser explicadas assumindo que os preços da economia sejam totalmente flexíveis, ao contrário da teoria keynesiana, que os considera rígidos no curto prazo. Analise as seguintes afirmativas sobre essa teoria:
I- a quantidade ofertada de mão de obra depende positivamente dos incentivos econômicos oferecidos ao trabalhador.
II- se os salários dos trabalhadores estiverem altos ou a taxa de juros for elevada, os trabalhadores preferirão trabalhar menos e a economia entrará em recessão.
III- a aprovação de uma legislação muito restritiva ou o aumento do preço internacional do petróleo não são fatores que podem induzir a economia à recessão.
IV- a oferta de moeda é endógena e a expansão dela em função do crescimento econômico pode dar a ilusão de que a moeda não é neutra, embora ela o seja de fato.
É correto o que consta apenas em
a) I, II e III.
b) III e IV
c) I e IV
d) II e IIIe) I e II
Comentário: a teoria dos ciclos econômicos reais procura explicar as flutuações econômicas de curto prazo, como uma alternativa à teoria keynesiana. Segundo esta, os preços e os salários são rígidos a curto prazo e as políticas monetária e fiscal são eficientes no sentido de alterar a produção e o emprego. A teoria dos ciclos econômicos reais segue os pressupostos clássicos, segundo os quais os preços e os salários são flexíveis e as variáveis nominais não influenciam as variáveis reais. Vamos comentar um pouco essa teoria a partir das afirmativas que oferece. A afirmativa I está correta, pois a teoria admite que a produção de curto prazo é influenciada pela oferta de trabalho, e que a disposição dos trabalhadores em oferecer mais horas de trabalho depende de incentivos econômicos, como os salários reais maiores. A afirmativa II está incorreta, pois salários e juros maiores incentivam o trabalho. Uma taxa de juros mais alta é incentivo a trabalhar no sentido de que a aplicação do valor do salário rende mais e aumenta o custo de oportunidade de não trabalhar e não ter renda. A afirmativa III também está incorreta. Esse caso é decorrente dos choques tecnológicos que afetam a economia, fazendo variar a oferta de produto. Uma condição climática adversa, uma legislação ambiental restritiva e aumentos dos preços do petróleo são exemplos de choques adversos, que resultam em queda na produção e no emprego, ou seja, em recessão. A afirmativa IV é correta, pois a teoria mantém o pressuposto clássico de que as variáveis nominais, como a oferta de moeda, são neutras em relação às variáveis reais. Um aumento na quantidade de moeda concomitantemente a uma expansão na produção é explicado como um efeito e não como a causa dessa expansão. Opção c.
5- No modelo de Mundell-Fleming para uma pequena economia aberta com perfeita mobildade de capitais e taxas de câmbio flexíveis, onde se observa a existência de desemprego no curto prazo, uma política de expansão da oferta de moeda praticada pelo Banco Central terá como uma de suas conseqüências
a) a permanência da taxa de desemprego nos mesmos níveis anteriores.
b) a diminuição do produto real.
c) a valorização da taxa de câmbio.
d) o aumento da entrada líquida de capitais externos.
e) o aumento das exportações líquidas.
Comentário: o modelo Mundell-Fleming examina os efeitos da aplicação de políticas fiscal e monetária em regimes de taxas de câmbio fixas e flexíveis. A partir das hipóteses do modelo e seguindo os efeitos da aplicação de cada uma das políticas, conclui-se que a política fiscal é eficiente no regime de câmbio fixo e a política monetária é eficiente no câmbio flexível. Nesse último caso, que é o apresentado na questão, um aumento da oferta de moeda diminui a taxa de juros interna, que resulta em saída de capitais para o exterior. No regime de câmbio flexível a taxa de câmbio aumenta, ou seja, a moeda nacional desvaloriza-se, aumentando-se as exportações e diminuindo as importações, provocando certamente diminuição do desemprego. Opção e.

Hélio Socolik